segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Aldeia Velha-RJ Muitas Cachoeiras

Olá Galera,
Vejam como foi nossa excursão à Aldeia Velha. Suas cachoeiras, amigos, clorofila e muita paz entre todos os amigos que estiveram lá.



Logo estarei postando todas as dicas de como chegar e aproveitar ao máximo o local.

Abraços,
Ivan e Sandra

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ano Internacional das Florestas 2011

A ONU deu início oficial ao Ano Internacional das Florestas. A importância dos ecossistemas florestais, frisaram diversas autoridade reunidas em Nova York nesta semana para a 9a sessão do comitê de florestas, é inestimável para diversas espécies do planeta.

No lançamento do Ano Internacional das Florestas, a Conservação Internacional organizou um lista com as 10 regiões florestadas sob maior ameaça em todo mundo. A Mata Atlântica foi listada em 5o lugar. Veja abaixo as fotos e explicações para cada uma das regiões.

1 - Regiões da Indo-Birmânia (Ásia-Pacífico)
Os rios e pântanos desse hotspot são extremamente importantes para a conservação de aves, tartarugas e peixes de água doce, incluindo alguns dos maiores peixes de água doce do mundo. O Lago Tonle Sap e o Rio Mekong são hábitats para a lampreia gigante Mekong (Pangasianodon gigas) e a carpa dourada de Jullien (Probarbus jullieni). Seus ecossistemas aquáticos estão sob intensa pressão em diversas áreas, e muitas áreas alagáveis de suas planícies aluviais de água doce foram destruídas pelo cultivo de arroz. Os rios foram represados para gerar eletricidade, resultando no alagamento de bancos de areia e outros hábitats que normalmente seriam expostos durante a estação seca, com impactos severos sobre ninhos de aves e espécies de tartarugas. A conversão de mangues em reservatórios de aquicultura de camarão, a pesca excessiva e o uso de técnicas de pesca destrutiva são também problemas graves para os ecossistemas costeiros e de água doce. Hoje subsistem apenas 5% do hábitat original. (foto: © Conservation International/ Sitha Som)

2 – Nova Zelândia (Oceania)
Um arquipélago montanhoso uma vez dominado pelas florestas temperadas, a Nova Zelândia é uma terra de paisagens variadas e abriga extraordinários índices de espécies endêmicas, incluindo seu representante mais famoso, o kiwi. Nenhum de seus mamíferos, anfíbios ou répteis é encontrado em outro lugar do mundo. Curiosamente, as duas espécies registradas de mamíferos terrestres endêmicos são morcegos. Hoje, espécies invasoras representam uma séria ameaça à flora e à fauna das ilhas da Nova Zelândia. Com a chegada dos europeus no início do século 19, foram levadas ao arquipélago 34 espécies exóticas de mamíferos (incluindo gambás, coelhos, gatos, cabras e furões) e centenas de espécies de ervas daninhas invasoras. Somando-se o impacto da caça e da destruição de hábitats, os últimos duzentos anos testemunharam a extinção de inúmeras espécies de aves, invertebrados, plantas e de um morcego e um peixe endêmicos. Diversas outras espécies sobrevivem apenas em pequenas populações nas ilhas. A destruição de hábitats, de florestas e a drenagem de pântanos são também problemas-chave. Há apenas 5% de remanescentes do hábitat original do arquipélago. (foto: © Conservation International/ Bruce Beehler)

3 - Sunda (Indonésia, Malásia e Brunei – Ásia-Pacífico)
O hotspot de Sunda cobre a metade ocidental do arquipélago Indo-Maláio, um arco de cerca de 17 mil ilhas equatoriais, dominado pelas duas maiores ilhas do mundo: Boréo e Sumatra. Suas espetaculares flora e fauna estão sucumbindo devido ao crescimento explosivo da indústria florestal e do comércio internacional de animais que consome tigres, macacos e espécies de tartarugas para alimentos e remédios em outros países. Populações de orangotangos, encontradas apenas nessas florestas, estão em dramático declínio. Alguns dos maiores refúgios de espécies de rinocerontes do sudeste asiático são também encontrados nas ilhas de Java e Sumatra. Assim como ocorre na maioria das áreas tropicais, suas florestas estão sendo dizimadas para usos comerciais. A produção de borracha, óleo de dendê e celulose são os três principais fatores que levam à degradação e destruição da biodiversidade de Sunda. Em Sumatra, o corte e extração insustentável e ilegal de madeira e outros produtos florestais são generalizados para abastecer a alta demanda da China, América do Norte, Europa e Japão. Hoje, apenas cerca de 7% da extensão original da floresta permanecem mais ou menos intactos.(© Conservation International/Haroldo Castro)

4 – Filipinas (Ásia-Pacífico)
Mais de 7.100 ilhas estão dentro das fronteiras do hotspot das Filipinas, identificado como um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo. Diversas espécies endêmicas estão confinadas a fragmentos de florestas que cobrem apenas 7% da extensão original do hotspot. Isso inclui cerca de 6 mil espécies de plantas e diversas espécies de aves tais como a águia das Filipinas (Pithecophaga jefferyi), a segunda maior águia do mundo. Anfíbios endêmicos são também extraordinariamente grandes e ostentam espécies únicas tais como o sapo voador pantera (Rhacophorus pardalis), que passou por diversas adaptações para planar, incluindo abas extras na pele e membranas entre os dedos para gerar elevação ao planar. As florestas filipinas são também uma das áreas em maior perigo de destruição. Historicamente devastadas pela atividade madeireira, os hoje poucos remanescentes estão sendo dizimados pela agricultura e para acomodar as necessidades da alta taxa de crescimento populacional e severa pobreza rural do país. O sustento de cerca de 80 milhões de pessoas depende principalmente de recursos naturais provenientes das florestas. (foto: © Olivier Langrand)

5 – Mata Atlântica (América do Sul)
A Mata Atlântica se estende por toda a costa atlântica brasileira, alongando-se para partes do Paraguai, Argentina e Uruguai, incluindo também ilhas oceânicas e o arquipélago de Fernando de Noronha. A Mata Atlântica abriga 20 mil espécies de plantas, sendo 40% delas endêmicas. Ainda assim, menos de 10% da floresta permanece de pé. Mais de duas dúzias de espécies de vertebrados ameaçadas de extinção – listadas na categoria “Criticamente em Perigo” - estão lutando para sobreviver na região, incluindo leões-marinhos e seis espécies de aves que habitam uma pequena faixa da floresta no Nordeste. Começando com o ciclo da cana-de-açúcar, seguido das plantações de café, a região vem sendo desmatada há centenas de anos. Agora, a Mata Atlântica está enfrentando pressão por conta da crescente urbanização e industrialização do Rio de Janeiro e São Paulo. Mais de 100 milhões de pessoas, além da indústria têxtil, agricultura, fazendas de gado e atividade madeireira da região dependem do suprimento de água doce desse remanescente florestal. (© Conservation International/photo by John Martin)

6 – Montanhas do Centro-Sul da China (Ásia)
As Montanhas do Centro-Sul da China apresentam uma ampla gama de hábitats incluindo a flora temperada com a maior taxa de endemismo no mundo. O ameaçado panda gigante (Ailuropoda melanoleuca), que é quase totalmente restrito a essas pequenas florestas, é a bandeira da conservação da região. Essas montanhas também alimentam a maioria dos sistemas hídricos da Ásia, incluindo diversas ramificações do rio Yangtze. O Rio Mekong corta a província de Yunnan e o Laos, o Camboja e o Vietnã em seu curso até o mar do sul da China. O Nujiang atinge o Oceano Índico pela província de Yunnan e Burma. As atividades ilegais de caça, coleta de lenha e pastagem são algumas das principais ameaças à biodiversidade da região. A construção da maior barragem do mundo, a de Três Gargantas, no rio Yangtze, já ameaçou e continua ameaçando fortemente a biodiversidade da área. A construção de barragens está sendo planejada em todos os rios principais da floresta, o que deve afetar os ecossistemas e a subsistência de milhões de pessoas. Ao todo, apenas cerca de 8% da extensão original do hotspot permanecem em condições inalteradas. (© Conservation International / photo by Piotr Naskrecki)

7 – Província Florística da Califórnia (América do Norte)
A Província Florística da Califórnia é uma zona de clima do tipo mediterrâneo, que possui altos índices de plantas endêmicas. É o lar da sequoia gigante, o maior organismo vivo do planeta, e alguns dos últimos condores da Califórnia, a maior ave da América do Norte. É o local de maior reprodução de aves dos Estados Unidos. Diversas espécies de grandes mamíferos antes encontrados nesse local estão extintas, incluindo o urso cinzento (Ursus arctos), que aparece na bandeira da Califórnia e tem sido símbolo do estado há mais de 150 anos. A vasta destruição causada pela agricultura comercial é uma grande ameaça para a região, que gera metade de todos os produtos agrícolas utilizados pelos consumidores dos EUA. O hotspot é também fortemente ameaçado pela expansão de áreas urbanas, poluição e construção de estradas, o que tornou a Califórnia um dos quatro estados mais ambientalmente degradados do país. Hoje, apenas cerca de 10% da vegetação original permanecem mais ou menos intactos. (foto: © William Crosse)

8 – Florestas Costeiras da África Oriental (África)
Apesar de pequenos e fragmentados, os remanescentes que formam as Florestas Costeiras da África Oriental contêm níveis extraordinários de biodiversidade. As 40 mil variedades cultivadas da violeta africana, que forma a base de um comércio global de folhagens que movimenta US$100 milhões anualmente, são todas derivadas de um punhado de espécies encontradas nas florestas costeiras da Tanzânia e do Quênia. Cerca de 200 mamíferos são encontrados no hotspot, sendo 11 endêmicos, incluindo o musaranho-elefante (Rhynchocyon chrysopygus). Os primatas são espécies-símbolo para esse hotspot, incluindo três espécies de macacos endêmicos, duas das quais podem ser encontradas ao longo do rio Tana, que corta o Quênia Central. A expansão agrícola continua sendo a maior ameaça para as Florestas Costeiras da África Oriental. Devido à pobre qualidade do solo e a uma tendência de crescimento populacional, a agricultura de subsistência, assim como as fazendas comerciais, continua a consumir mais e mais dos recursos naturais da região, com apenas 10% restante das florestas originais.(© Robin Moore/iLCP)

9 - Madagascar e ilhas do Oceano Índico (África)
Este hotspot é um exemplo vivo da evolução de espécies em isolamento. Apesar da proximidade com a África, as ilhas não compartilham quaisquer dos grupos típicos de animais do continente vizinho. Ao invés disso, elas contêm uma exuberante coleção única de espécies, com altos níveis de endemismo. Madagascar e o grupo de ilhas vizinhas possuem um total impressionante de oito famílias de plantas, quatro famílias de aves e cinco famílias de primatas que não existem em nenhum outro lugar da Terra. As mais de 50 espécies de lêmures de Madagascar são os carismáticos embaixadores para a conservação da ilha, embora diversas espécies já tenham entrado em extinção. Em uma área que é das mais prejudicadas economicamente no mundo, a alta taxa de crescimento populacional está colocando uma enorme pressão sobre o ambiente natural. A agricultura, a caça e a extração não sustentável de madeira, além da mineração em grande e pequena escalas, são ameaças crescentes. Estima-se que restam apenas 10% do hábitat original. A proteção desses remanescentes é de suma importância já que metade da população não tem acesso adequado à água doce. (foto: © Cristina Mittermeier/ iLCP)

10 – Florestas de Afromontane (África Oriental)
As montanhas do hotspot de Afromontane Oriental são dispersas ao longo da extremidade oriental da África, desde a Arábia Saudita ao norte até o Zimbábue ao sul. Embora geograficamente dispersas, as montanhas que compreendem esse hotspot possuem flora extraordinariamente similar. O gênero de árvore mais frequente é o Podocarpus, embora o Juniperus seja encontrado em florestas mais secas da África nordeste e oriental. Uma zona de bambu é normalmente encontrada entre as altitudes de 2 e 3 mil metros, acima da qual existe uma zona de floresta Hagenia, até uma altitude de 3.600 metros. O Vale do Rift abriga mais mamíferos, aves e anfíbios endêmicos do que qualquer outra região da África. O evento geográfico que criou as montanhas desse hotspot também gerou alguns dos mais extraordinários lagos do mundo. Devido aos grandes lagos, um grande montante de diversidade de peixes de água doce pode ser encontrado na região, que é o hábitat de 617 espécies endêmicas. Assim como na maioria das áreas tropicais, a principal ameaça a essas florestas é a expansão da agricultura, especialmente com grandes plantações de banana, feijão e chá. Outra ameaça relativamente nova, que coincide com o aumento da população, é o crescente mercado de carne. Hoje, apenas 11% de seu hábitat original permanecem intactos. (foto: © Robin Moore/iLCP)

Todas as legendas das fotos foram cedidas pela Conservação Internacional

Fonte: www.oeco.com.br

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Nova Friburgo/RJ vai ganhar parque ecológico em distrito castigado pelas chuvas

Olá pessoal, após tanta destruição começa a aparecer boas notícias ambientais em Nova Friburgo:

O governo do estado do Rio de Janeiro anunciou neste domingo (23) que será implantado um parque ecológico no distrito de Córrego Dantas, em Nova Friburgo, um dos locais mais castigados pelas fortes chuvas registradas na região serrana fluminense há 12 dias. Os estudos para implantação do parque serão iniciados nos próximos dias.

O presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop), vinculada à Secretaria de Obras do estado, Ícaro Moreno Júnior, informou à Agência Brasil que o parque “vai servir como área de lazer, turismo e educação ambiental”. O parque irá ocupar uma área de 20 quilômetros (km) de extensão por 100 metros de largura, totalizando 2 milhões de metros quadrados (m²).

Moreno explicou que, no local, a calha do rio está totalmente ocupada. “Nós vamos remover e realocar todas as pessoas que estão nesse vale e construir um parque ecológico. Ele terá uma dimensão tamanha que toda a região vai usar esse parque. Tanto Teresópolis, como Petrópolis, Nova Friburgo e toda a região no entorno”.

O presidente da Emop não descartou a possibilidade de ser firmada uma parceria público-privada (PPP) para a manutenção do parque. “Os governos federal, estadual e municipal implantam o parque e, depois, as empresas privadas, numa parceria, poderiam fazer a manutenção e a operação. Seria muito bom fazer um chamamento às empresas privadas”. A expectativa é que, em 2012, o parque de Córrego Dantas estará concluído. “Um ano é a nossa meta”, disse Ícaro Moreno Júnior. (Fonte: Alana Gandra/ Agência Brasil)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Expedição Monte Roraima

Olá pessoal,
Hoje o TerralimpaTv vai mostrar para vocês como foi nossa expedição ao Monte Roraima. Eu, meu amigo Pedro Menezes e Wagner Cabeção-SP realizamos o sonho de percorrer os 100km de caminhada durante 07 dias e 06 noites em um trekking magnífico pelo "Mundo Perdido".

Atingimos o Ponto Tríplice da fronteira entre o Brasil, Venezuela e Guiana que é o marco a ser alcançado por todos os excursionistas que se aventuram em galgar os 2723 metros de altitude do Monte Roraima.


Durante muito sol, chuva, frio, mosquitos, rios caudalosos, paredões e vistas deslumbrantes, gravamos belas cenas que valem a pena serem divididas com todos os amantes de caminhadas.
A seguir, postamos os vídeos e as dicas para quem deseja realizar ou simplesmente apreciar esta fascinante caminhada com segurança e conforto, sem perder o espírito de aventura de uma boa excursão nas montanhas.




Nossa expedição começou a ser gerada em uma caminhada na África do Sul com meu amigo Pedro Menezes e depois fomos amadurecendo a ideia até julho, quando começamos a pesquisar a agência que contrataríamos para esta expedição. Por sorte, logo conhecemos o Magno da Roraima Adventures que nos deu total orientação até o dia do embarque em Boa Vista-Roraima para a Venezuela onde fomos muito atendidos por todos de sua equipe.
Eu, Pedro e o Cabeção-SP tivemos uma equipe de um guia brasileiro + guia venezuelano(cozinheiro) + 04 carregadores, sendo dois destes contratados a mais por nós.

Durante a expedição não nos preocupamos com nada. Tivemos café da manhã na barraca todos os dias e fartas refeições que nos deixaram bem nutridos para os 100 km de caminhada.

A entrada no Parque Nacional de Canaima só é permitida com um guia venezuelano e os carregadores são índios que moram no Parque.
Durante o trajeto pudemos encontrar grupos de ingleses, poloneses, canadenses, coreanos, americanos, espanhóis, dinamarqueses e muitos outros que cruzam a trilha constantemente indo e vindo do Monte.

A caminhada em si não é tão pesada mas, depois de muito sol, chuva, mosquitos, longas caminhadas e 06 pernoites em barraca ao lado de um cara que roncava todas as noites, é preciso estar bem mentalmente e fisicamente para poder continuar curtindo toda a expedição sem perder o "pic".

Abaixo coloquei alguns extras de fotos e vídeos para todos curtirem mais.

A Sandra não participou desta aventura mas nos encontrou na Venezuela para irmos até o Salto Angel, que é a maior cachoeira do mundo com 979m (ver postagem anterior).



Em breve estarei adicionando mais informações neste post.
Abraços,
Ivan

'Parar de escalar seria trair Berna'

Ola pessoal,
Nossa amiga Ana Karla fez a gentileza de nos enviar esta matéria do estadão:

"Estou bem fisicamente. Durmo bastante, me alimento bem (ou o melhor que posso) e tenho me hidratado. Fiquei em El Chaltén por quase dez dias e agora estou no Rio, onde o carinho da família e dos amigos irão me ajudar nesse momento difícil.

Berna (o montanhista carioca Bernardo Collares, de 46 anos, cujo corpo jaz num platô de difícil acesso do Monte Fitz Roy, Patagônia Argentina) não era apenas meu parceiro de escalada, era o meu melhor amigo. Criamos uma parceria na montanha que transcendeu as paredes rochosas: trabalhávamos juntos pelo montanhismo, compartilhávamos ideias e ideais, viajávamos juntos, planejávamos aventuras... Nada nos prepara para uma situação e uma decisão assim (deixar um companheiro ferido no alto da montanha e descer para pedir socorro). Sim, era a única opção, mas isso está longe de ter sido fácil. Berna não podia se mover, a dor era muito grande. Antes de eu dizer qualquer coisa ele falou: ‘Kika, daqui eu só saio de helicóptero. Você precisa descer sozinha. Me deixa aqui e vai buscar ajuda’.

Na caminhada de aproximação ao Fitz Roy, conversamos sobre milhões de coisas. Mas, agora, lembro apenas de nós dois rindo de nós mesmos, de quando, três anos antes, íamos fazer a primeira escalada juntos na região e não conhecíamos o lugar. Rimos de nossa estratégia da época, hoje totalmente inadequada. Mas aí a subida começou e o papo ficou para trás, para economizarmos energia. Na escalada, as conversas eram mais voltadas à escalada em si - os movimentos, o avanço, as decisões, o caminho a ser tomado e, claro, a paisagem maravilhosa.

No primeiro dia, andamos nove horas até a base da via de escalada e escalamos até mais ou menos 9 da noite, quando chegamos num bom lugar para bivaque, ou seja, para dormir. No dia seguinte, levantamos às 5h45 e começamos a escalar mais ou menos às 7h20. Escalamos até as dez da noite (quando ainda tem luz lá), e chegamos a outro lugar bom para bivaque, bem protegido do vento.

No dia 3 começou a nevar um pouco à noite e acordamos sem poder ver nada por causa das nuvens. Berna me olhou e falou: ‘Só para garantir que pensamos a mesma coisa, nossa decisão é descer, não é?’. Eu disse que sim, é óbvio. A nossa melhor opção era chegar a uma outra via, ao lado, mas para isso precisávamos subir um pouco mais. Subimos para onde não se enxergava nada. Esperamos um pouco e, como o tempo não melhorava, decidimos descer pela própria via em que estávamos. Eram 8h45.

(O grampo que prende a corda de Bernardo à rocha se solta e ele despenca de uma altura de 15 metros. Na observação da amiga, ele fratura a bacia na queda e fica desacordado. Nos momentos de lucidez, se queixa de muita dor e pede para ela ir buscar ajuda.)

Na descida depois do acidente, não me permitia pensar em muitas coisas além dos procedimentos necessários para me manter segura. No momento em que desci não havia mais como voltar para onde estava Berna. Minha única opção era fazer isso o mais rápido possível, sem perder a calma, para buscar ajuda para ele. Descia pensando em acionar o resgate, mas não pensava muito emocionalmente, porque isso apenas deixaria a minha situação mais precária.

Quando parei eram 22h40 e as últimas luzes do dia já estavam indo embora. Parei nesse dia apenas porque não sabia mais por onde seguir. Eu só pensava em ir rápido para acionar o resgate. ‘Dormi’ na montanha, no mesmo lugar em que tínhamos ficado no primeiro dia de escalada. Não comi ou bebi praticamente nada durante dois dias.

No segundo dia de descida, 4 de janeiro, muitas vezes tive vontade de parar, pois não tinha mais forças. Contudo, me obrigava a continuar por saber que simplesmente não podia parar. Eu estava no meu limite físico, emocional e mental. Cheguei à base da via às 14h45 do dia 4 e continuei descendo até o glaciar. Na medida em que tinha certeza de que não precisaria mais dos equipamentos, ia largando eles pelo caminho para seguir mais leve e com mais segurança. No final, terminei com poucos equipamentos, basicamente o que me manteria viva se eu precisasse fazer outro bivaque, além de uns poucos mosquetões, uma camalot 0.75 (equipamento que ajuda o escalador a se fixar em fendas na rocha) que guardei por valor sentimental e algumas coisas do Berna que tinha levado comigo para o caso de precisar.

No glaciar, mais ou menos a quatro horas da base e ainda a cinco horas de El Chaltén, encontrei o Juan, meu namorado, que tinha ido me buscar. Foi nessa hora que me permiti chorar pela primeira vez. Não me considero uma pessoa muito religiosa, mas sei que forças maiores estavam comigo ali. Pedia a todos os deuses que conheço e aos que não conheço também, mais a todos os anjos da guarda, para me ajudarem. E sei que me ajudaram. E sei que Berna, uma pessoa de luz e que tinha um campo energético muito forte, também me ajudou.

Sou arqueóloga de formação, com mestrado em antropologia e foco em desenvolvimento de equipes em ambientes de atividades ao ar livre. Fui guia de montanha profissional e tive uma empresa de escalada. Comecei a escalar em 1998 e escalar é uma fonte de aprendizado na minha vida. Escalando aprendo quem sou, desenvolvo minhas habilidades e trabalho meus valores. Não penso em parar de escalar. Isso seria trair quem eu sou e ir de encontro àquilo que me unia a meu amigo Berna."

DEPOIMENTO POR E-MAIL A CHRISTIAN CARVALHO CRUZ

Fonte:

http://www.estadao.com.br/

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Homenagem à Bernardo Collares na Urca neste sábado 15/01/2010.

Neste sábado dia 15 de janeiro de 2011, a comunidade de montanha estará se reunindo na Praça General Tibúrcio, na Praia Vermelha para homenagear o
montanhista e presidente da FEMERJ Bernardo Collares.
Pela manhã a programação é escalarmos o complexo do Pão de Açucar, horário e vias ficam a critério dos escaladores, e às 15h na Praça General Tibúrcio será realizado um pronunciamento por familiares e amigos.

O convite é a todos (caminhantes e escaladores) que como Bernardo, amam as montanhas.

Independentemente do tempo, chuva ou sol, o pronunciamento acontecerá.

Ótima oportunidade para revermos os amigos e prestarmos solidariedade a família do Bernardo.

Nos vemos lá...

Abraços,
Ivan A.